Consórcio de cultivares de Urochloa e leguminosas: uma realidade sustentável!

Faça parte da comunidade Zootecnia Brasil! Inscreva-se!

O Zootecnia Brasil não envia anúncios ou e-mails em excesso.

Junte-se a 1.052 outros assinantes
consórcio

O consórcio é um sistema onde se integram duas ou mais culturas diferentes em uma mesma área. Essa diversidade entre componentes vegetais apresenta vantagens para o sistema produtivo. O principal componente seria a fixação de nitrogênio proporcionado pelas leguminosas, que pode ocasionar aumento na produtividade e valor nutritivo das forragens (Zegler et al., 2018).

A prática de consorciar gramíneas com leguminosas é uma atividade que vem ganhando espaço, visto que estudos vêm demonstrando a eficiência desse sistema. O consórcio possui importância principalmente em relação a diminuição da dependência de fertilizantes nitrogenados, substituindo-os pelo produto da fixação biológica de nitrogênio, ocorrida graças à simbiose de bactérias fixadoras com leguminosas, visto que irá converter o nitrogênio atmosférico em amônia, garantindo a entrada deste nutriente ao ecossistema de pastagens, garantindo aumento na produtividade das pastagens e no valor nutritivo da forragem Dubeux & Sollenberger et al. (2020). 

Assim como o consórcio é visto como uma estratégia sustentável, pois a substituição de fertilizantes nitrogenados é uma interessante escolha, na qual a aplicação da adubação nitrogenada, principalmente de forma inadequada, ocasiona grande liberação de óxido nitroso à atmosfera, sendo esse um potente gás de efeito estufa, tal como o risco de eutrofização das águas gerada pela presença dos fertilizantes decantados em fundo dos lagos. Segundo pesquisadores como Cardoso et al. (2016) e Pereira et al. (2019), há necessidade do uso de combustíveis fósseis para fabricação e transporte dos fertilizantes, enquanto que na estratégia da utilização de consórcios esses efeitos são minimizados graças ao sequestro de carbono realizado pelas leguminosas, visto que segundo Kohmann et al. (2020), a adição de nitrogênio promove acúmulo de carbono ao sistema relativamente de formas mais estáveis no solo.

O consórcio também atua diretamente na biomassa radicular do solo, na qual o experimento realizado por Santos et al. (2018) demonstrou que o nitrogênio advindo das leguminosas e introduzido ao ecossistema foi um dos principais responsáveis pelo  aumento de biomassa subterrânea, de raízes e rizomas, no solo. Sendo que o maior desenvolvimento radicular cria condições de melhoria na física do solo, pois o sistema radicular desenvolvido neutraliza a compactação exercida pelos cascos de gado Dubeux & Sollenberger et al. (2020).

Leia também: Manejo de ponta e repasse em pastagens

O nitrogênio classificado como macronutriente é de extrema importância em um ecossistema de pastagens. É ressaltado por Kohmann et al. (2020) e Dubeux & Sollenberger et al. (2020) que a presença desse nutriente ocasiona a formação de serapilheira de maior qualidade que ao se decompor reduz a relação C:N e, consequentemente, diminui a imobilização de nutrientes, garantindo uma decomposição mais acelerada, mineralização e ciclagem de nutrientes mais eficiente na área de pastagem. Sendo a leguminosa calopogônio utilizada como alternativa de adubação verde, cuja o seu consórcio com capim Urochloa decumbens, utilizado em pesquisa realizada por Silva et al. (2012) observou aumento da taxa de decomposição da serapilheira graças a inclusão de calopogônio. O experimento analisou a composição química e decomposição após a inclusão da leguminosa em 0, 50 e 100% da massa da serapilheira, sendo analisado que os valores da relação C:N do material senescente da monocultura do Urochloa foram 74 a 76% maiores do que o material puro de calopogônio, tal como com a adoção de 50% de leguminosa, houve declínio na proporção, chegando de 62 a 64%, desse modo a mineralização líquida do nitrogênio aumentou de 27% em monocultura de gramíneas para 38% com 50% de inclusão de calopogônio, ocasionado aceleração na ciclagem de nutrientes de 16% (Silva et al. – 2012).

O amendoim forrageiro vem sendo estudado principalmente visando observar os seus benefícios na cadeia produtiva da carne sob pastejo. O experimento realizado por Pereira et al. (2019) relatou que a produtividade do consórcio de Arachis pintoi (cv. Belmonte) com Urochloa brizantha (cv. Marandú) excederam a produção de capim Urochloa brizantha (cv. Marandú) em monocultura fertilizado com 120kg N/ha, para produção de gado de corte, sendo apresentado uma massa de forragem de 17% maior no consórcio em comparação a monocultura.

Acesse também nosso LinkedIn e nos siga: Zootecnia Brasil

Constata pelos dados científicos que a utilização de leguminosas no sistema produtivo pode ser uma estratégia viável para cadeia produtiva de maneira sustentável pela diminuição da dependência de adubação nitrogenada. Entretanto, a disponibilidade de estudo sobre o assunto ainda é escassa. É essencial recentes avaliações sobre produtividade, densidade e valor nutritivo das culturas mantidas em consórcios de áreas de pastagem.

Referências:

Cardoso A.S; Berndt, A.; Leytem, A.; Alves, B.J.R; de Carvalho, I.N.O; Soares L.H.B; Urquiaga, S. and Boddey, R.M. (2016). Impact of the intensification of beef production in Brazil on greenhouse gas emissions and land use,Agricultural Systems, Volume 143, Pages 86-96, ISSN 0308-521X, https://doi.org/10.1016/j.agsy.2015.12.007.

Dubeux, J.C., Jr and Sollenberger L.E 2020, Nutrient cycling in grazed pastures.p.59-75. In: Management Strategies for Sustainable Cattle Production in Southern Pastures. 3ª ed. Quincy, FL, United States, ed.Monte Rouquette Jr., PAS, Glen E. Aiken. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-814474-9.00004-9.

Pereira, J.M; Rezende, C.D.P; Borges, A.M.F; Homem, B.G.C; Casagrande. D.R; Macedo T.M; Alves. B.J.R; Sant’Anna, S.A.C; Urquiaga, S. and Boddey, R.M. (2019). Production of beef cattle grazing on Brachiaria brizantha (Marandu grass)—Arachis pintoi (forage peanut cv. Belomonte) mixtures exceeded that on grass monocultures fertilized with 120 kg N/ha. Grass and Forage Science. 75: 28– 36. https://doi.org/10.1111/gfs.12463.

Santos, E.R.S; Dubeux, J.C Jr; Mackowiak, C.; Blount, A.; Sollenberger, L.E; DiLorenzo, N.; Jaramillo, D.; Garcia, L. and Pereira‐Neto, J.D. (2018), Root‐Rhizome Mass and Chemical Composition of Bahiagrass and Rhizoma Peanut Monocultures Compared with their Binary Mixtures. Crop Science, 58: 955-963. https://doi.org/10.2135/cropsci2017.09.0522.

Siqueira da Silva, H.M; Batista Dubeux, J.C., Jr; Ferreira dos Santos, M.V; de Andrade Lira, M; de Andrade Lira, M., Jr and Muir, J.P. (2012), Signal Grass Litter Decomposition Rate Increases with Inclusion of Calopo. Crop Science, 52: 1416-1423.  

https://doi.org/10.2135/cropsci2011.09.0482.

Zegler, C.H; Brink, G.E; Renz, M.J; Ruark, M.D. and Casler, M.D. (2018), Management Effects on Forage Productivity, Nutritive Value, and Legume Persistence in Rotationally Grazed Pastures. Crop Science, 58: 2657 2664.  https://doi.org/10.2135/cropsci2018.01.0009.

Respostas de 4

  1. Tenho feiro algumas mudas e plantado em terreno denominado “Vargem” porem o terreno é pobre em nutrientes, pleito, pastagens, posteriormente informo se ocorrerá bons resultados. Atenciosamente, Márcio, Candeias Mg.

Deixe uma resposta

Compartilhar

Share on facebook
Facebook
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

TAMBÉM QUER SEU ANÚNCIO AQUI? ENTRE EM CONTATO

Translate »