O Sindirações, sindicato que representa a indústria de rações no Brasil, divulgou sua primeira prévia do ano e o número impressiona: a produção nacional de alimentos para animais deve superar 98 milhões de toneladas em 2026, uma expansão de 4,5% sobre 2025. Para quem acompanha o setor de perto, não é surpresa, mas confirma que a nutrição animal segue sendo um dos motores silenciosos do agronegócio brasileiro.

Os números do primeiro trimestre
No primeiro trimestre de 2026, a produção de rações somou 22,6 milhões de toneladas, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. Quem puxou esse crescimento foram as cadeias de aves e suínos, justamente os segmentos que dependem mais pesadamente de ração balanceada para manter a conversão alimentar competitiva.
- Aves de corte: 10 milhões de toneladas de ração no trimestre, com abate de frangos 3,6% maior
- Suínos: 5,5 milhões de toneladas de ração, com abates 5,5% maiores, somando 15,3 milhões de cabeças

O Sindirações atribui o avanço ao aumento dos abates combinado com o ritmo forte das exportações. Ou seja: o Brasil está produzindo mais ração porque está produzindo mais frango e mais porco, e ambos estão sendo vendidos para fora com força.
Por que esse número importa além da estatística
Produção de ração em alta significa, antes de tudo, mais demanda por milho e farelo de soja, os dois principais insumos da formulação. Isso cria uma pressão direta sobre os custos de produção de quem cria aves e suínos, porque a ração costuma representar a maior parte do custo final do animal pronto para abate, em muitos sistemas mais de 60% do custo total.
Também é um indicador indireto de saúde do setor: quando a produção de ração cresce, normalmente é porque os plantéis estão crescendo também, seja em número de aves alojadas, seja em matrizes suínas em produção. Um crescimento de 4,5% ao ano, sustentado, não é trivial para um país que já é um dos maiores produtores mundiais de proteína animal.

O que fica de lição
Para o produtor rural, a prévia do Sindirações funciona como termômetro de mercado: se a produção de ração continua subindo nesse ritmo, a demanda por milho e soja como matéria-prima também vai continuar pressionada, o que tende a manter os preços desses grãos firmes ao longo do ano. Vale acompanhar os próximos boletins trimestrais da entidade para ver se o ritmo de crescimento se mantém ou perde força na segunda metade do ano.