Pirarucu Gigante de 137,9 kg é Capturado em Reserva de Rondônia, mas a Espécie é Considerada Invasora na Região

Parece contraditório, mas é exatamente isso que aconteceu na Reserva Extrativista Estadual Rio Cautário, em Costa Marques, Rondônia: um pirarucu de quase 138 quilos e 2,46 metros de comprimento foi capturado no dia 23 de setembro de 2026, e o fato de ser um peixe gigante não foi motivo de celebração ambiental. Pelo contrário, foi parte de uma ação de manejo para controlar e, se possível, erradicar a espécie daquela bacia específica.

Homem em canoa em rio amazônico cercado de mata, cenário onde pescadores capturam o pirarucu

Nativo da Amazônia, mas invasor no Rio Cautário

O pirarucu, o Arapaima gigas, é nativo da bacia amazônica como um todo, mas isso não significa que ele pertença a cada rio e riacho da região. No Rio Cautário, segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, a Sedam, a espécie compete com peixes nativos daquele trecho específico e desequilibra a cadeia alimentar local. É um detalhe que escapa da intuição de muita gente: um animal pode ser nativo do Brasil e, ainda assim, ser tratado como invasor dentro de uma bacia hidrográfica onde ele não evoluiu naturalmente.

O biólogo Rodrigo Rios, da Sedam, confirmou que esse exemplar é o maior já registrado em uma Unidade de Conservação de Rondônia. Ele supera o recorde anterior, um pirarucu de 2,44 metros e cerca de 120 quilos pescado no Rio Machado, perto de Ji-Paraná.

Pessoa conduzindo canoa a motor em rio amazônico passando por palafitas

Pesca que também é renda para quem vive na reserva

O manejo de controle não descarta o peixe depois de capturado. Os exemplares retirados do Rio Cautário são vendidos a um frigorífico parceiro, e o valor é repartido entre os moradores extrativistas da reserva. Em 2025, cada família envolvida na ação recebeu em média cerca de R$ 5 mil, o que transforma um programa de controle ambiental em fonte real de renda para comunidades tradicionais da região.

  • Exemplar de 137,9 kg e 2,46 metros, capturado em 23 de setembro de 2026.
  • Maior pirarucu já registrado em Unidade de Conservação de Rondônia.
  • Recorde anterior: 2,44 m e cerca de 120 kg, no Rio Machado.
  • Renda média de R$ 5 mil por extrativista envolvido na ação, em 2025.
Rio amazônico cercado de vegetação densa na região de fronteira entre Brasil e Peru

O que isso ensina sobre manejo de espécies nativas

O caso do Rio Cautário é um bom lembrete de que manejo de fauna não é sempre uma questão de nativo contra exótico. Às vezes é uma questão de equilíbrio dentro de um sistema fechado, como uma bacia isolada, onde até um peixe típico da região pode virar um problema se chegar sem os predadores e competidores que normalmente limitam sua população em outro lugar. Para quem acompanha aquicultura e manejo pesqueiro no Brasil, esse é o tipo de nuance que vale mais do que qualquer número de recorde isolado.

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