O Ministério da Agricultura e Pecuária prorrogou, no fim de março, o estado de emergência zoossanitária por gripe aviária em todo o território nacional por mais 180 dias. A medida não significa que o Brasil tenha perdido seu status de livre da doença perante a OMSA, mas serve para manter a agilidade da defesa sanitária nas principais zonas de produção e nas fronteiras, justamente no período em que os casos costumam aumentar a partir de maio.

O número que poucos avicultores conhecem
Desde o primeiro registro da doença no país, em 15 de maio de 2023, o Brasil já acumulou 188 casos confirmados de influenza aviária de alta patogenicidade. Desse total, 173 foram em aves silvestres e 14 em aves domésticas de fundo de quintal. Apenas um caso ocorreu em granja comercial até agora, em maio de 2025, no Rio Grande do Sul, o que foi suficiente para suspender temporariamente as exportações de produtos avícolas daquela região, como exige o protocolo internacional.
É esse equilíbrio frágil, muitos casos em aves selvagens e quase nenhum em produção comercial, que sustenta o status sanitário do Brasil junto à OMSA e também a liderança do país nas exportações de carne de frango.

Vacina em teste e o que muda para o pequeno criador
O Instituto Butantan já está testando uma vacina contra a gripe aviária, embora o Mapa continue sendo contrário à vacinação preventiva em massa como estratégia de controle, posição defendida em debates recentes em Paris junto à OMSA. Para quem cria aves, mesmo em pequena escala, a recomendação prática não muda:
- Evitar contato de aves domésticas com aves silvestres, principalmente perto de rios, lagoas e áreas de pouso de aves migratórias;
- Notificar qualquer mortalidade súbita e fora do padrão ao serviço veterinário oficial imediatamente;
- Restringir a entrada de visitantes e veículos não essenciais em granjas e quintais com aves;
- Manter equipamentos e calçados de uso exclusivo da área de criação.

A prorrogação da emergência não é alarme de que algo mudou, é justamente o oposto: é o Brasil tentando manter o controle que já funciona há mais de dois anos sem deixar a guarda baixa na temporada de maior risco.