Brucelose Bovina: Santa Catarina Tem a Menor Taxa de Risco do Brasil, mas o Resto do País Ainda Sofre

Quem cria gado de corte ou de leite já ouviu falar em brucelose, mas poucos sabem que o Brasil tem hoje um mapa bem desigual dessa doença. Segundo o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), do Ministério da Agricultura e Pecuária, atualizado em outubro de 2025, Santa Catarina aparece com a menor classificação de risco do país, com prevalência de apenas 0,9% de focos. Outras regiões do Brasil ainda enfrentam índices bem mais altos.

Veterinário examinando bovino em fazenda de gado de leite no Brasil

Por que Santa Catarina está na frente

A brucelose bovina é causada pela bactéria Brucella abortus e o sinal mais comum em propriedades infectadas é o aborto no terço final da gestação, além de retenção de placenta e queda na fertilidade do rebanho. É também uma zoonose: pessoas que lidam com partos, placentas ou leite não pasteurizado de vacas infectadas podem contrair a chamada febre ondulante.

A vacina B19, aplicada em bezerras entre 3 e 8 meses de idade, é obrigatória na maior parte dos estados brasileiros e é justamente aí que está a diferença. Segundo a mestre em Agronomia Tatiani Janegitz, citada pelo PNCEBT, os principais fatores que ainda travam o avanço do programa em boa parte do país são a cobertura vacinal irregular, a estrutura dos sistemas de produção, a estrutura dos serviços veterinários oficiais e estaduais, o tamanho dos próprios rebanhos e, sobretudo, a velocidade de identificação de novos casos.

Vaca em pastagem verde, representando rebanho bovino brasileiro

O que isso significa na prática para o produtor

Quanto mais rápido uma propriedade identifica e isola um animal com suspeita de brucelose, menor o risco de o foco se espalhar pelo rebanho e de a propriedade perder a certificação sanitária, algo que pesa direto na hora de vender animais ou leite para outros estados. Tatiani Janegitz defende justamente ferramentas moleculares de diagnóstico mais rápido como caminho para reduzir essa defasagem entre o contágio e a confirmação.

  • Vacinar fêmeas entre 3 e 8 meses com a B19, dentro do calendário oficial do seu estado;
  • Isolar imediatamente qualquer animal que aborte e descartar a placenta com segurança, sem contato direto;
  • Manter a propriedade dentro do calendário de testes do PNCEBT para preservar a certificação sanitária;
  • Usar luvas no manejo de partos e nunca consumir leite sem pasteurização de origem desconhecida.
Médico veterinário realizando manejo em bovinos de corte

O caso catarinense mostra que erradicar a brucelose não depende só de vacina: depende de rastrear o foco rápido o suficiente para que ele não vire estatística do ano seguinte.

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