O Brasil fechou 2025 com a maior exportação de carne bovina da sua história, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes. Foram 3,5 milhões de toneladas embarcadas, um crescimento de 20,9% em volume sobre 2024, com faturamento de dezoito bilhões de dólares, alta de 40,1% em receita. É o tipo de número que não cabe mais na conversa de “potencial a ser explorado”: a liderança já está em exercício.

A China sozinha explica boa parte do salto
Dos 3,5 milhões de toneladas exportadas, 1,68 milhão foram para a China, quase metade do volume total, com receita de 8,9 bilhões de dólares e crescimento de 22,8% no ano. Nenhum outro destino chega perto desse peso: Estados Unidos importaram 271,8 mil toneladas, Chile 136,3 mil, e a União Europeia, mesmo com barreiras sanitárias historicamente rígidas, 128,9 mil toneladas, um salto de 132,8% em relação a 2024. “O desempenho de 2025 foi extraordinário”, resumiu Roberto Perosa, presidente da Abiec, ao comentar o balanço do ano.
Essa concentração em um único comprador também é um risco que o setor já conhece bem. Qualquer mudança de política comercial ou sanitária por parte da China tem potencial de impactar diretamente metade da receita de exportação do país, o que explica por que diversificar destinos continua sendo pauta recorrente entre os exportadores, mesmo num ano de recorde.

O que sustenta essa liderança na ponta da produção
Status sanitário reconhecido internacionalmente, expansão da pecuária intensiva com maior lotação por hectare em regiões como o Centro-Oeste, e ganhos genéticos em raças zebuínas adaptadas ao clima tropical são fatores que sustentam esse volume crescente de abate e exportação. Sem o controle sanitário que garantiu ao Brasil o status de livre de febre aftosa reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal, boa parte desses mercados, a União Europeia em especial, simplesmente não estaria aberta para o produto brasileiro.

O número que resume o tamanho da virada
Faturar quarenta por cento mais vendendo vinte por cento mais em volume mostra que o Brasil não está só exportando mais carne, está conseguindo agregar valor ao produto que vende, vendendo cortes mais nobres e para mercados dispostos a pagar mais. Para quem acompanha a cadeia da pecuária de corte brasileira, esse é o indicador que realmente importa: não é só volume, é a combinação de volume crescente com preço médio também em alta que explica o resultado histórico de 2025.