Um teste da Embrapa Cerrados, feito com novilhas durante setenta e nove dias de período seco, mostrou algo que todo pecuarista deveria guardar: o grupo que recebeu mistura múltipla mineral com proteína e energia ganhou, em média, o dobro de peso do grupo que recebeu só sal mineral comum. Dobro. No mesmo pasto, no mesmo período, com o mesmo clima castigando a forragem.

Por que o sal mineral comum não resolve na seca
Durante a estação chuvosa, o fósforo isolado já responde bem, porque a forragem está rica em energia e proteína, faltando só o mineral. Na seca, o cenário se inverte: a forragem perde drasticamente teor de proteína e energia, e segundo documentos técnicos da Embrapa, fornecer só fósforo nesse período praticamente não gera resposta nenhuma em ganho de peso. O problema deixou de ser mineral e passou a ser nutricional como um todo.
É aí que entra a mistura múltipla, que combina ureia como fonte de nitrogênio não proteico com os minerais, suprindo ao mesmo tempo a carência de proteína e a de micronutrientes como fósforo, sódio, zinco, cobre, cobalto e iodo, todos documentados como deficientes nas pastagens brasileiras típicas.

Onde a prioridade pesa mais dentro do rebanho
Vacas gestantes e novilhas em final de prenhez são a categoria onde a exigência mineral atinge o pico justamente na fase mais crítica da seca, o que torna essa categoria a prioridade número um quando o orçamento de suplementação é limitado e não dá para suplementar o rebanho inteiro da mesma forma. Deixar essas categorias sem suporte adequado nesse período compromete não só o peso da vaca, mas o desenvolvimento do bezerro que está sendo gerado.

A conta que justifica o investimento
O próprio estudo da Embrapa Cerrados estimou uma vantagem econômica de cerca de dois dólares por cabeça no período avaliado, e análises posteriores citadas pela instituição apontam retorno de até cinco reais para cada um real investido em suplementação proteinada mineral na seca. Para quem está decidindo se vale a pena trocar o sal mineral comum pela mistura múltipla nesse período do ano, a resposta que os números dão é direta: o custo adicional da mistura se paga, e sobra margem, quando comparado à perda de peso que o rebanho teria sem esse suporte nutricional reforçado.