Brasil Lidera Exportação Mundial de Frango pelo 18º Ano Consecutivo

O Brasil fechou mais um ano no topo do ranking mundial de exportação de carne de frango. Pelo 18º ano consecutivo, o país segue como o maior fornecedor do produto para o mercado internacional, respondendo por 35% de tudo que é exportado no mundo, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Não é um recorde isolado. É uma sequência que começou ainda nos anos 2000 e nunca foi interrompida.

Galinhas de corte soltas em pasto representando avicultura brasileira

Como o Brasil construiu essa liderança

A posição não surgiu da noite para o dia. O país combina clima favorável à produção de grãos como milho e soja (que formam a base da ração), um parque industrial de abate certificado para exportação e um custo de produção competitivo em relação a concorrentes como Estados Unidos e União Europeia. Estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo concentram boa parte dos abatedouros habilitados a vender para mercados exigentes, da Ásia ao Oriente Médio.

Essa estrutura permite que o Brasil mantenha contratos de longo prazo com importadores, mesmo quando o cenário sanitário global fica tenso. Países compradores sabem que podem contar com volume e regularidade, dois fatores que pesam tanto quanto o preço na hora de fechar negócio.

Pintinhos de corte em granja avícola no Brasil

O que a liderança representa na prática

Trinta e cinco por cento das exportações mundiais de frango não é só um número para enfeitar relatório. Significa que, de cada três quilos de frango que cruzam uma fronteira em algum lugar do planeta, mais de um saiu de um abatedouro brasileiro. Essa escala gera emprego ao longo de toda a cadeia, da produção de milho e soja até o transporte refrigerado até o porto.

Também dá ao setor um peso político relevante. Decisões sobre barreiras sanitárias, tarifas de importação ou embargos afetam diretamente a economia de municípios inteiros no Sul e no Centro-Oeste, onde a avicultura é a principal atividade.

Os riscos que podem ameaçar essa posição

Manter 18 anos de liderança não significa que o caminho seja tranquilo. A gripe aviária, mesmo quando detectada apenas em aves silvestres ou em uma única granja comercial, pode levar países importadores a suspender compras de regiões inteiras do Brasil até a situação ser normalizada. Isso já aconteceu em episódios recentes e mostra como a vantagem competitiva do país depende de vigilância sanitária constante.

Outros fatores que pesam no equilíbrio da balança:

  • Custo e disponibilidade de milho e soja, que variam com clima e câmbio;
  • Abertura ou fechamento de mercados como China e União Europeia conforme acordos comerciais;
  • Investimento contínuo em biosseguranca para evitar surtos de influenza aviária;
  • Concorrência de países como Tailândia e Estados Unidos, que também disputam espaço nos mesmos destinos.
Frangos de corte em granja ao ar livre

Por ora, a combinação de escala, sanidade e competitividade segue garantindo ao Brasil o posto que nenhum outro país conseguiu tirar em quase duas décadas. A pergunta que o setor já faz não é mais se o Brasil vai perder a liderança, mas por quantos anos ainda vai conseguir mantê-la.

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