O Brasil fechou 2025 com 62,3 bilhões de ovos produzidos, segundo o relatório anual da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). É o maior volume já registrado no país, e vem acompanhado de outro número que chama atenção: o consumo por pessoa chegou a 288 ovos por ano, um dos níveis mais altos já vistos aqui. Para comparação, em 2015 esse número girava em torno de 191 ovos por pessoa. Em uma década, o brasileiro passou a comer quase 100 ovos mais por ano.

Quase tudo fica aqui mesmo
Diferente da carne de frango, que tem metade da produção voltada para fora, o ovo brasileiro é essencialmente um produto para consumo interno: 98,6% de tudo que é produzido fica no mercado doméstico. As exportações somaram 40,9 mil toneladas em 2025, gerando US$ 97,2 milhões e chegando a 87 países, mas isso representa só 1,4% do volume total. Ou seja, o recorde de produção não é puxado por demanda externa, é o próprio brasileiro comendo mais ovo, seja na forma in natura, seja em produtos industrializados.
Em valor, essa cadeia movimentou R$ 29,2 bilhões em 2025. E o Brasil, com esse volume, se mantém como o quinto maior produtor mundial de ovos, atrás de países como China e Estados Unidos.

A produção está concentrada em poucos estados
Sul, Sudeste e Centro-Oeste respondem por mais de 80% de todo ovo produzido no país, com Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo na frente da lista. São mais de 400 estabelecimentos com inspeção federal (SIF) distribuídos por esses polos, o que ajuda a explicar por que a cadeia consegue escalar produção ano após ano sem depender de um único estado.
Essa concentração geográfica também é estratégica: granjas próximas de centros consumidores grandes como São Paulo reduzem custo de logística em um produto que, ao contrário da carne congelada, não aguenta viagens longas sem perder qualidade.

O que esse número diz sobre o setor
Um recorde de produção que é sustentado por consumo interno crescente é, na prática, um sinal mais sólido do que um recorde puxado só por exportação. Mercado externo oscila com taxa de câmbio e barreira sanitária de outros países; consumo interno crescendo ano após ano mostra que o ovo virou, de fato, parte maior do cardápio do brasileiro, não só pelo preço baixo frente a outras proteínas, mas pela percepção de que é um alimento prático e nutritivo. Para quem está na ponta de produção, o recado é que a demanda doméstica ainda tem espaço para crescer antes de depender de exportação para sustentar o volume.