Um estudo da Embrapa Gado de Leite, conduzido por Aloísio Torres de Campos, Maria de Fátima Ávila Pires e Rui da Silva Verneque, mostra que o estresse térmico pode derrubar a produção de leite de vacas Holandesas em até 20% quando comparadas com animais mantidos em conforto térmico. Para uma vaca de alta produção, de 35 litros por dia, a perda anual estimada no estudo chegou a quase 20% do potencial produtivo, um prejuízo que muitas propriedades sentem no bolso sem associar diretamente ao calor.

O número que define o limite do conforto térmico
A referência usada para medir o desconforto é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que combina temperatura do ar e umidade relativa num único valor. Segundo Oliveira (1980), o ITU 75 é o limite máximo de conforto para o gado leiteiro: a partir desse ponto, tanto a produção de leite quanto o consumo de alimento começam a cair de forma consistente.
Rosenberg e colaboradores (1983) detalham ainda mais essa escala de risco: de 75 a 78 já é considerado alerta, de 79 a 84 entra em faixa de perigo, e valores de 85 ou mais configuram emergência para o bem-estar e a produtividade do rebanho. No estudo da Embrapa, conduzido na região de Goiânia, o ITU variou de 75 no mês mais ameno (junho) a 79,6 no mês mais crítico (outubro), ou seja, boa parte do ano já opera na faixa de alerta ou perigo para vacas de alta produção.
Por que o impacto varia tanto entre vacas diferentes
O levantamento da Embrapa mostra que a perda diária de produção varia de 0,1 a 6,9 kg de leite por vaca por dia, dependendo do potencial produtivo do animal. Vacas de maior produção sentem o impacto de forma proporcionalmente mais pesada: para animais de 35 kg/dia, a perda anual estimada ficou entre 10,29% e 19,71%, enquanto para vacas de 25 kg/dia a faixa foi de 7,60% a 18,80%. Ou seja, quanto mais produtiva a vaca, maior a queda absoluta sofrida em dias de calor intenso.
- ITU acima de 75 já reduz produção de leite e consumo de alimento em vacas Holandesas;
- Faixa de 79 a 84 de ITU é classificada como zona de perigo pelos pesquisadores;
- Perda de até 20% na produção anual em vacas de alta produção submetidas a estresse térmico constante;
- Impacto maior em vacas de maior potencial produtivo, que sentem a queda de forma mais acentuada.

O que fazer na prática para reduzir a perda
Para quem toca propriedade leiteira em regiões de clima quente, boa parte do Brasil, a lição prática do estudo da Embrapa é simples: sombra, ventilação e acesso a água fresca deixam de ser conforto opcional e passam a ser ferramenta direta de produtividade a partir do momento em que o ITU ultrapassa 75. Isso inclui árvores ou coberturas artificiais nos piquetes, aspersores e ventiladores em instalações de confinamento parcial, e ajuste de horário de manejo para evitar expor o rebanho ao pico de calor do meio da tarde.
Monitorar o ITU da propriedade ao longo do ano, e não só confiar na sensação térmica, ajuda o produtor a identificar os meses mais críticos e a planejar investimentos em conforto térmico com antecedência, em vez de reagir depois que a queda na produção de leite já apareceu no boletim mensal do laticínio.
