O Aethina tumida, popularmente chamado de pequeno besouro das colmeias, é originário do continente africano e já deixou de ser um risco distante para o apicultor brasileiro. Segundo a pesquisadora Maria Teresa do Rêgo Lopes, da Embrapa Meio-Norte, a praga já foi registrada em mais de 50 municípios do Brasil.
O que o besouro faz dentro da colmeia
O problema real não é o besouro adulto, são as larvas. Elas se alimentam de larvas de abelhas e de pólen, e ao se movimentarem dentro da colmeia perfuram os favos. Essa perfuração causa fermentação do mel e do pólen, que ficam impróprios para consumo. Em casos mais graves, a infestação pode levar ao abandono completo da colmeia pelas próprias abelhas.

Um caso confirmado por laboratório oficial
Em fevereiro de 2025, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) confirmou a primeira ocorrência da praga no estado, em um apiário de Rondonópolis. Produtores notaram algo estranho e acionaram o órgão, que coletou amostras de três colmeias. A confirmação veio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, em Goiânia, ligado ao Mapa. Na Bahia, um foco foi identificado no município de Conde e, segundo reportagens locais, já foi controlado.

Sem tratamento eficaz, a saída é prevenção
Não existe um tratamento realmente eficaz contra o Aethina tumida depois que ele se instala. Isso faz da prevenção a única ferramenta confiável, e as orientações dos órgãos de defesa agropecuária, como o Indea e a ADAB, seguem na mesma linha:
- Cadastrar a produção apícola no órgão estadual de defesa agropecuária, ou atualizar o cadastro já existente.
- Inspecionar regularmente as colmeias, olhando tampa, laterais, fundo, frestas, quadros e favos.
- Raspar periodicamente o acúmulo de própolis e cera, que serve de abrigo para o besouro.
- Reforçar a fiscalização no transporte de colmeias e na compra de rainhas.
- Notificar imediatamente o órgão de defesa agropecuária em caso de suspeita.
Um representante da Coopcab, cooperativa de apicultores baiana, resumiu bem o problema prático: a praga aumenta o custo de produção, mesmo quando não chega a destruir a colmeia inteira.

Por que vale a pena aprender a reconhecer o besouro agora
Mais de 50 municípios já com registro da praga é um número grande demais para tratar como problema de outro estado. A recomendação prática para qualquer apicultor, independente da região, é simples: aprender a identificar o inseto, inspecionar a colmeia com regularidade e ter o contato do órgão de defesa agropecuária local à mão. Esperar o foco aparecer na própria propriedade para aprender a lidar com ele custa caro, em mel perdido e em colmeia abandonada.