A brucelose ovina, causada pela bactéria Brucella ovis, já infecta pelo menos 40% das propriedades em algumas regiões do Nordeste brasileiro, segundo levantamento da Embrapa Caprinos e Ovinos. Também chamada de epididimite ovina, a doença compromete a fertilidade dos carneiros e pode causar partos prolongados e abortos nas matrizes, afetando diretamente a produtividade dos rebanhos.

O que é a brucelose ovina e como ela se manifesta
A brucelose ovina é uma doença venérea crônica que atinge principalmente os carneiros, provocando aumento de volume e da consistência do epidídimo, além de atrofia dos testículos, por isso o nome popular de epididimite ovina. Nas matrizes, a infecção pode levar a partos prolongados e, em alguns casos, a abortos. A palpação dos testículos pode sugerir a doença, mas não é suficiente para confirmar o diagnóstico, que depende de exames sorológicos ou de cultura do sêmen, já que outros agentes também podem causar sinais parecidos.
Onde a brucelose ovina mais preocupa no Brasil
Segundo o pesquisador Selmo Alves, da Embrapa Caprinos e Ovinos, pelo menos 40% das propriedades em regiões como a Bacia do Jacuípe, na Bahia, e a região de Inhamuns-Crateús, no Ceará, têm rebanhos ovinos infectados pela Brucella ovis. A doença também é registrada nas bacias leiteiras da Paraíba e de Pernambuco, áreas tradicionalmente importantes para a ovinocultura e a caprinocultura nordestinas.

Como a brucelose ovina se transmite no rebanho
A Brucella ovis se transmite principalmente pelo sêmen, pelo leite e pelo colostro contaminados, além de materiais vindos de abortos. O micro-organismo consegue sobreviver de 24 a 72 horas em restos de aborto, fezes e instalações mal higienizadas, o que facilita a disseminação dentro do próprio rebanho se não houver cuidado com a limpeza. Por isso, a introdução de animais de origem desconhecida, sem histórico reprodutivo claro, é uma das principais portas de entrada da doença numa propriedade até então livre.
Como prevenir e controlar a brucelose ovina
A Embrapa recomenda uma série de cuidados para quem cria ovinos: verificar o histórico reprodutivo da propriedade de origem antes de comprar animais, isolar animais recém-chegados de rebanhos desconhecidos, separar carneiros jovens dos sexualmente ativos, e fazer exames reprodutivos periódicos, com inspeção e palpação dos machos antes da estação de monta. Sempre que possível, o ideal é complementar com teste sorológico, consultando os órgãos oficiais de defesa sanitária animal. Descartar corretamente restos de abortos e animais mortos, seja por compostagem ou em área isolada e distante de água e alimento, também ajuda a reduzir a circulação da bactéria no ambiente.
- Agente: bactéria Brucella ovis
- Nome popular: epididimite ovina
- Prevalência em áreas do Nordeste: pelo menos 40% das propriedades, segundo a Embrapa
- Principais sinais: epidídimo aumentado, atrofia testicular, partos prolongados e abortos
- Transmissão: sêmen, leite, colostro e material de abortos contaminados

A brucelose ovina é mais um desafio sanitário que se soma a outros já conhecidos pelos criadores de ovinos e caprinos do Nordeste, região que também lidera o ranking nacional de rebanhos de caprinos e ovinos, incluindo a Paraíba, quinto maior rebanho de caprinos do país. Assim como ocorre com a verminose em ovinos, o controle sanitário eficiente depende menos de remédios pontuais e mais de manejo preventivo constante, aplicado com rigor ao longo de todo o ciclo produtivo do rebanho.
O custo da infertilidade causada pela brucelose ovina
O impacto da brucelose ovina vai além do carneiro individualmente afetado. Num rebanho de monta natural, um macho com epididimite comprometida pode falhar em cobrir as ovelhas no período certo, atrasando a estação de parição inteira e reduzindo a taxa de natalidade do ano. Em propriedades que trabalham com genética selecionada, a perda é ainda maior, já que um carneiro premiado, infectado, pode precisar ser descartado do plantel reprodutivo para não continuar disseminando a bactéria entre as matrizes. Esse é um dos motivos pelos quais a Embrapa recomenda exame reprodutivo de rotina antes de cada estação de monta, e não apenas quando já existe suspeita clínica da doença.
Para o criador que lida com ovinos de corte ou de lã no Nordeste, incorporar o exame reprodutivo à rotina anual custa relativamente pouco comparado ao prejuízo de uma estação de monta perdida. Ainda assim, a brucelose ovina segue subdiagnosticada em muitas propriedades menores, que não têm acesso fácil a laboratórios veterinários ou que só percebem o problema quando a taxa de fertilidade do rebanho já caiu de forma visível, tornando a prevenção baseada em boas práticas de manejo ainda mais importante do que o tratamento em si.