A coriza infecciosa em aves é uma doença bacteriana que pode causar queda de até 40% na postura de granjas afetadas, segundo especialistas em avicultura. Causada pela bactéria Avibacterium paragallinarum (também citada como Haemophilus paragallinarum), ela afeta principalmente galinhas, mas pode atingir também perus, faisões e capotes, em aves de qualquer idade.

Sintomas da coriza infecciosa em aves
Os primeiros sinais costumam ser corrimento nasal e espirros, seguidos de inchaço na região abaixo dos olhos e conjuntivite, com lacrimejamento visível. Nos machos, é comum que as barbelas também fiquem inchadas. Em infecções recentes, a secreção nasal é clara, mas com a persistência da doença ela se torna mais espessa e amarelada. Quando a obstrução das vias respiratórias é grande, as aves passam a respirar pela boca, e em alguns casos a secreção nasal é o único sinal visível do problema.
Como a coriza infecciosa se transmite no plantel
A transmissão acontece por aerossol, contato direto entre aves doentes, moscas, objetos contaminados (fômites) e também pela ração ou água. Aves com infecção crônica e portadoras assintomáticas são as principais responsáveis por manter a doença circulando num plantel, principalmente em criações com aves de diferentes idades, onde o problema costuma passar das mais velhas para as mais jovens. Ambientes úmidos, expostos a correntes de vento frio e com instalações malconstruídas favorecem a disseminação da bactéria.

Impacto na produção e queda de postura
O principal efeito econômico da coriza infecciosa em aves de produção é a queda de postura, que pode chegar a 40% nos lotes mais afetados, segundo o professor Marcelo Dias, especialista em avicultura citado pelo Centro de Produções Técnicas (CPT). Além da perda direta de ovos, a doença também aumenta o refugo entre aves em fase de crescimento, já que exemplares mais debilitados não atingem o padrão esperado para abate ou reprodução.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
Como outras doenças respiratórias de aves apresentam sinais parecidos, o diagnóstico definitivo exige a confirmação de um médico veterinário, com apoio de provas laboratoriais. A coriza infecciosa costuma responder bem a antibióticos, com redução da gravidade dos sintomas em cerca de uma semana, mas a presença de portadores assintomáticos no plantel torna a recorrência comum caso o manejo sanitário não seja corrigido. Em regiões onde a doença é frequente, recomenda-se vacinação com bacterina inativada, aplicada por via subcutânea entre 10 e 15 semanas de idade, com reforço três semanas depois.
- Agente: bactéria Avibacterium (Haemophilus) paragallinarum
- Principais sintomas: corrimento nasal, espirros, inchaço facial e conjuntivite
- Impacto produtivo: queda de postura de até 40%
- Transmissão: aerossol, contato direto, fômites e aves portadoras assintomáticas
- Prevenção: biosseguridade, manejo sanitário e vacinação em zonas de risco

Manter a coriza infecciosa sob controle depende tanto de boas práticas de biosseguridade quanto de atenção à nutrição do plantel, área que também influencia a resistência das aves a infecções respiratórias, como mostra o manual da Embrapa sobre ração para galinha poedeira caipira por fase. O tema ganha ainda mais relevância num momento em que o Brasil bateu recorde histórico na produção de galináceos e ovos em 2025 e também enfrenta vigilância redobrada contra outras doenças respiratórias de aves, caso da doença de Newcastle identificada em Santa Catarina.
Impacto econômico além da queda de postura
Numa granja comercial, a coriza infecciosa em aves raramente aparece isolada: o estresse da infecção reduz a conversão alimentar, atrasa o crescimento de aves jovens e pode abrir caminho para infecções secundárias, já que o sistema respiratório fica mais vulnerável depois de um surto. Em granjas de postura, a recuperação da produção normal pode levar semanas mesmo depois que os sintomas visíveis desaparecem, o que torna o prejuízo maior do que a simples contagem de ovos perdidos durante o período agudo da doença. Por isso, produtores que já tiveram contato com a bactéria costumam investir em protocolos de vacinação preventiva, em vez de esperar o primeiro surto para agir.
Vale lembrar que a coriza infecciosa em aves não é a única ameaça respiratória que preocupa a avicultura brasileira. Doenças como a gripe aviária e a doença de Newcastle também exigem vigilância constante, e a diferença entre um surto controlado e uma perda severa de produção costuma estar na velocidade com que o produtor identifica os primeiros sinais e isola o problema, antes que ele se espalhe para o restante do galpão.