Anja, a Cadela com Três Próteses de Titânio, Emociona o Brasil

A prótese em cães ainda é um recurso raro na medicina veterinária brasileira, mas foi o que devolveu os primeiros passos a Anja, uma cadela resgatada depois de sofrer maus-tratos no interior do Rio Grande do Sul. Vítima de um tutor que a manteve amarrada e a agrediu, Anja perdeu as duas patas dianteiras e uma das traseiras. Em março de 2026, segundo reportagem do G1/RBS TV, ela se tornou a primeira cadela do país a receber três implantes desse tipo numa única cirurgia.

Cadela correndo feliz no campo, simbolizando recuperação após cirurgia

Quem é Anja, a cadela que recebeu três próteses

O resgate aconteceu em julho de 2025, em Caseiros, no norte do Rio Grande do Sul, depois de uma denúncia de maus-tratos que levou à prisão do tutor. A ONG União Protetora Caseiros cuidou do primeiro atendimento, junto com a veterinária Francieli Sgarbossa. Quase um ano depois, já recuperada dos ferimentos, Anja passou por uma cirurgia de cerca de quatro horas em Ibiraiaras, conduzida pelo veterinário cirurgião Filippe Michel, para receber os três implantes ortopédicos que substituíram os membros amputados.

No Brasil, maus-tratos a animais domésticos são crime previsto pela Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que aumentou as penas para quem agride cães e gatos. Ainda assim, casos como o de Anja mostram que a aplicação da lei nem sempre evita o dano: a denúncia só chegou às autoridades depois que vizinhos relataram a situação, e o tutor foi preso somente após o resgate da cadela.

Como funciona a prótese em cães com amputação múltipla

Diferente de uma prótese externa simplesmente encaixada por fora do membro, o tipo de implante usado em Anja é fixado diretamente ao osso, por meio de parafusos e um pino de titânio, técnica chamada de osseointegração. O procedimento exige planejamento individual para cada membro, já que o encaixe precisa respeitar o comprimento do osso remanescente e a forma como o animal passa a distribuir o peso do corpo. Por envolver cirurgia óssea e um longo período de fisioterapia depois, esse tipo de prótese em cães costuma ser indicado só quando não há outra alternativa funcional, como aconteceu com Anja, que perdeu três dos quatro membros.

Cadela em pé no campo com um frisbee na boca, ativa e saudável

Casos de prótese em cães ainda são raros no Brasil

A cirurgia de Anja ecoa outros casos de emergências veterinárias que têm ganhado espaço na imprensa, como o de cadelas que precisaram de cirurgia de urgência por piometra ou o de cães de raças grandes com torção gástrica. Diferente dessas emergências agudas, o caso de Anja envolve um tratamento reconstrutivo de longo prazo, que depende de doações, já que o custo de exames, cirurgia e prótese costuma ser alto para tutores e ONGs. Pessoas de várias regiões do país ajudaram a custear o tratamento depois que a história ganhou repercussão nas redes.

O que esperar da recuperação

Depois da cirurgia, Anja já conseguia se apoiar no chão e ensaiava os primeiros passos, mas ainda segue em reabilitação, com fisioterapia para fortalecer a musculatura e aprender a caminhar com os implantes. Segundo a equipe que acompanha o caso, ela deve ficar disponível para adoção quando a recuperação avançar mais. Casos como esse mostram que, mesmo diante de maus-tratos graves, a medicina veterinária brasileira tem ampliado o leque de opções para animais que antes seriam simplesmente eutanasiados por falta de alternativa.

  • Resgate: julho de 2025, em Caseiros (RS)
  • Cirurgia dos implantes: início de março de 2026, em Ibiraiaras (RS)
  • Duração da cirurgia: cerca de quatro horas
  • Número de próteses implantadas: três, fixadas com parafusos e pino de titânio
  • Situação atual: em reabilitação, aguardando adoção
Retrato de cadela de pelagem castanha, em foco raso

O caso reforça a importância de denunciar maus-tratos e de apoiar ONGs de resgate, que muitas vezes são a única ponte entre um animal maltratado e um tratamento como o que devolveu a Anja a chance de voltar a caminhar.

Prótese em cães: um recurso que começa a crescer no país

Historicamente, a amputação de um ou mais membros em cães era seguida apenas de adaptação natural, com o animal aprendendo a se locomover em três patas, sem recurso ortopédico. A osseointegração, como a usada em Anja, ainda depende de equipe especializada, estrutura cirúrgica e acompanhamento pós-operatório prolongado, o que limita o acesso a poucos centros veterinários no Brasil, geralmente em parceria com universidades ou clínicas de referência em ortopedia animal. Ainda assim, casos de grande repercussão como o dela ajudam a popularizar a técnica e podem motivar outros tutores e protetores a buscar esse tipo de solução quando a amputação parece ser o único caminho.

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