Enquanto o Brasil comemora recorde de exportação de carne suína, a Europa está lidando com um problema que o produtor brasileiro nem precisa pensar no dia a dia: a peste suína africana (PSA). No primeiro semestre de 2026, o continente somou 5.905 focos da doença, segundo dados do sistema ADIS (o sistema de informação de saúde animal da União Europeia) compilados pela 333. Isso é muita vigilância, muito prejuízo e muito país fechando fronteira pra carne europeia.
Onde a doença mais aparece
A maior parte dos casos está em javali: 5.589 focos em 15 países, contra só 316 em suínos domésticos espalhados por 11 países. A Polônia lidera disparado em javali, com 1.425 focos no semestre, seguida por Lituânia (832), Itália (823) e Alemanha (621). O detalhe que chama atenção é que o total geral caiu 15,6% em javali e cerca de 24% em suínos domésticos comparado ao primeiro semestre de 2025, só que essa queda não é uniforme: Itália (de 430 para 823 focos, alta de 91%) e Lituânia (de 468 para 832, alta de 78%) tiveram explosão justamente enquanto Alemanha (queda de 61%) e Polônia (queda de 40%) melhoraram bastante.
O movimento estranho entre suínos domésticos
Em granja, o padrão também mudou de lugar. A Sérvia saltou de 20 para 152 focos e passou a ser o ponto mais crítico da Europa nessa categoria. A Croácia foi de 1 para 26 focos. Já a Romênia, que historicamente concentra muito caso, caiu de 176 para 110. E a Hungria, que não tinha histórico forte da doença em criação comercial, confirmou seu primeiro caso em suíno doméstico em 5 de junho de 2026, com um segundo caso em agosto.
- 5.905 focos de PSA na Europa no 1º semestre de 2026
- 5.589 em javali (15 países) e 316 em suínos domésticos (11 países)
- Polônia lidera em javali com 1.425 focos
- Itália (+91%) e Lituânia (+78%) tiveram forte alta de casos em javali
- Sérvia se tornou o ponto mais crítico em suínos domésticos (de 20 para 152 focos)
Por que isso é bom pra suinocultura brasileira
O Brasil nunca registrou um caso de peste suína africana. Isso parece óbvio, mas não é pouca coisa: é justamente esse status de país livre que sustenta o Brasil como terceiro maior exportador mundial de carne suína, atrás só de União Europeia e Estados Unidos (que também têm casos pontuais em javali). Cada novo foco na Europa é, na prática, abertura de mercado pra carne brasileira, porque países importadores precisam diversificar fornecedor quando o risco sanitário sobe do outro lado do Atlântico. A vigilância na fronteira e nos portos brasileiros, então, não é burocracia chata: é a cerca sanitária que segura esse privilégio comercial.


