Mel não costuma entrar nas manchetes de agro ao lado de soja e boi, mas devia. O Brasil ocupa a 11ª posição no ranking mundial de produtores, segundo dados da FAO, com algo em torno de 51 mil toneladas por ano. E na ponta da exportação a notícia é ainda melhor: em 2024 o país exportou 37,9 mil toneladas de mel natural, um salto de 32,8% sobre o ano anterior.
Quem compra o mel brasileiro
Não tem segredo em quem está puxando essa demanda. Os Estados Unidos sozinhos levaram 29,9 mil toneladas, cerca de 79% de tudo que o Brasil vendeu para fora em 2024. O Canadá também mudou de patamar: ampliou as importações em 120,6% e ultrapassou a Alemanha como segundo maior comprador. É um cenário bem diferente de uns anos atrás, quando a pauta de exportação de mel brasileiro era mais distribuída entre Europa e América do Norte.
Produção nacional também mudou de escala
Segundo o IBGE, a produção brasileira de mel foi de 64,1 mil toneladas em 2023, já bem acima do número da FAO (que é de 2021 e tende a ficar defasado). O crescimento acumulado entre 2015 e 2023 foi de 69,5% no país inteiro, segundo o boletim Agro em Dados do governo de Goiás, estado que teve alta de 25,4% na produção no mesmo período e hoje produz cerca de 402 toneladas por ano. O valor da produção nacional em 2023 somou R$ 908 milhões, ainda que com queda de 7,6% em relação a 2022, reflexo de oscilação de preço e não de volume produzido.
- 11º maior produtor mundial de mel, segundo a FAO (51 mil t/ano)
- 64,1 mil toneladas produzidas no Brasil em 2023, segundo o IBGE
- 37,9 mil toneladas exportadas em 2024, alta de 32,8%
- Estados Unidos compram 79% do mel exportado pelo Brasil
- Canadá cresce 120,6% nas importações e ultrapassa a Alemanha
O que trava o setor ainda crescer mais
O consumo brasileiro ainda é baixo: 60 gramas por habitante ao ano, contra uma média mundial de 240 gramas, quatro vezes mais. Então o setor cresce muito mais olhando pra fora do que pra dentro. Faz sentido, já que o apicultor brasileiro depende de polinização de lavouras (soja principalmente) pra viabilizar economicamente a atividade, e a venda de mel em si vira quase um subproduto valioso dessa prestação de serviço ambiental. Enquanto o brasileiro não aumentar o consumo per capita, a aposta do setor continua sendo a mesa americana e canadense.


