Chuva e Frio Atrasam Esquila no Rio Grande do Sul, mas Produção de Lã Pode Chegar a 8 Milhões de Quilos

A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) estima que a safra de lã do Rio Grande do Sul deste ano chegue a cerca de 8 milhões de quilos. É um número que depende de terminar a esquila a tempo, e esse é justamente o ponto que vem travando produtores pelo estado: chuva e frio seguidos atrasaram o corte em várias propriedades, e em Herval uma comparsa de tosquia inteira ficou parada esperando temperatura subir.

Ovelha em fazenda, produção de lã

Por que o atraso preocupa mais do que parece

Esquilar fora da época certa não é só uma questão de logística. Segundo Sérgio Muñoz, coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, o atraso aumenta a exposição do velo à flechilha, planta que costuma aparecer com mais força a partir de novembro e que contamina a lã, derrubando sua qualidade e o preço que o produtor consegue cobrar depois. Em agosto, o excesso de chuva já tinha gerado medo de mancha e fungo, com acumulados de 600 a 700 mm em algumas regiões, mas o estrago ficou abaixo do temido.

Do total projetado, a Arco calcula que entre 2 e 3 milhões de quilos tenham bom valor têxtil, a parte que realmente interessa para a indústria de moda e tapeçaria. A entidade reconhece que ainda é difícil dimensionar com precisão essa fração, e o volume que vai sair com certificação de qualidade também não está fechado.

Rebanho misto, herança da pandemia

Parte do problema de qualidade da lã gaúcha hoje vem de uma decisão tomada anos atrás. Com o preço da lã despencando na pandemia, muitos criadores cruzaram seus rebanhos laneiros com raças de corte, buscando garantir renda pela carne em vez de arriscar na lã. O resultado ficou nos galpões de tosquia até hoje: parte do rebanho carrega lã de qualidade mais baixa, misturada entre fibras finas e grosseiras.

  • 12 comparsas de tosquia estão cadastradas na Arco neste momento
  • Equipes uruguaias reforçam o trabalho na Fronteira Oeste do estado
  • O cenário internacional é descrito pela Arco como favorável, puxado pela queda dos rebanhos e da oferta mundial de lã
Esquila de ovelha com tosquiadeira elétrica

A demanda por lã certificada, segundo a Arco, mantém exigências rígidas de qualidade, o que empurra o produtor a investir em manejo melhor do rebanho, não só em esquilar na hora certa. É um ciclo que começa muito antes da tosquia, na escolha do carneiro, no manejo das pastagens, e só aparece lá na ponta, no velo que sai limpo ou contaminado da tesoura.

Ovelha recém tosquiada em pastagem verde

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