Um estudo da Embrapa Suínos e Aves, conduzido por Scheuermann e colaboradores e publicado na revista Ciência Rural, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), testou um aditivo fitogênico na alimentação de 1.632 pintos de corte e encontrou um resultado que interessa direto ao bolso de quem cria frango: o custo de ração por ave caiu de forma estatisticamente significativa (P<0,001) no grupo que recebeu o aditivo, em comparação com o grupo controle.

O que são os aditivos fitogênicos
Aditivos fitogênicos são compostos de origem vegetal, como óleos essenciais e extratos de plantas, usados na nutrição animal no lugar ou em complemento aos antibióticos melhoradores de desempenho, cujo uso vem sendo cada vez mais restringido na avicultura e na suinocultura em várias partes do mundo. A ideia é aproveitar propriedades naturais dessas plantas, muitas vezes ligadas à digestibilidade e ao equilíbrio da microbiota intestinal das aves, para manter a produtividade sem depender de antibióticos.
No experimento da Embrapa Suínos e Aves, o efeito mais claro observado foi justamente essa redução de custo de ração por ave, embora o estudo não tenha encontrado diferença estatisticamente significativa em ganho de peso ou conversão alimentar entre os grupos testados naquele experimento específico. Isso mostra que o resultado de aditivos fitogênicos pode variar bastante conforme a composição exata do produto, a dose usada e as condições de criação.
Resultados diferentes em outros estudos
A própria introdução do artigo da Embrapa cita outro experimento, conduzido por Jamroz e Kamel em 2002, que testou um extrato vegetal diferente e chegou a resultados mais expressivos: 8,1% de ganho de peso diário a mais e 7,7% de melhora na conversão alimentar das aves tratadas. A diferença entre os dois estudos reforça um ponto importante para quem avalia esse tipo de insumo: não existe um aditivo fitogênico único, e sim uma categoria ampla de produtos com composições e eficácias distintas.
- Estudo da Embrapa com 1.632 pintos encontrou redução significativa no custo de ração por ave;
- Sem efeito estatisticamente significativo em ganho de peso ou conversão alimentar nesse experimento específico;
- Estudo de Jamroz e Kamel (2002), com outro extrato vegetal, registrou 8,1% de ganho de peso diário a mais;
- O mesmo estudo de 2002 também apontou 7,7% de melhora na conversão alimentar.

O que isso significa na prática para o avicultor
Para quem cria frangos de corte, o recado principal é que aditivos fitogênicos não são todos iguais, e o resultado em custo ou desempenho depende do produto específico escolhido e de como ele se encaixa no restante da dieta. Vale conversar com o nutricionista responsável pelo plantel antes de trocar o programa de aditivos da granja, pedindo dados de estudos controlados sobre o produto específico em avaliação, não apenas a categoria geral a que ele pertence.
Com a pressão regulatória e de mercado para reduzir o uso de antibióticos melhoradores de desempenho na avicultura brasileira, é provável que mais pesquisas como a da Embrapa Suínos e Aves continuem surgindo, ajudando produtores a decidir com mais segurança qual aditivo fitogênico realmente entrega retorno dentro da realidade de cada granja.
