Obesidade em Cães e Gatos: O Problema Que a Maioria dos Tutores Não Enxerga

Cachorro gordinho parece fofo nas fotos, mas não é sinal de que ele está bem cuidado. É, na verdade, um dos problemas de saúde mais comuns e mais negligenciados na rotina veterinária brasileira. A obesidade em cães e gatos já ultrapassa metade dos atendimentos em algumas clínicas do país, e boa parte dos tutores nem percebe que o animal está acima do peso até o veterinário apontar durante uma consulta de rotina.

Cão com sobrepeso deitado, obesidade em cães

O que a ciência da nutrição clínica diz sobre isso

Márcio Antonio Brunetto, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e referência em nutrição clínica de pets, coordena estudos e atendimentos voltados justamente para obesidade e doenças relacionadas à nutrição de cães e gatos no campus de Pirassununga. Um ponto que ele reforça com frequência em entrevistas e artigos técnicos é que obesidade não é estética, é doença metabólica, associada a diabetes, problemas articulares, maior risco cardiovascular e até redução na expectativa de vida do animal.

O detalhe que mais pega os tutores de surpresa é que gato também engorda, e muitas vezes de forma ainda mais silenciosa que o cão, porque o animal se move menos e o dono confunde pelagem volumosa com peso saudável. A diferença entre um gato ideal e um gato obeso pode não ficar tão óbvia visualmente quanto num cachorro, o que atrasa o diagnóstico.

Gato com sobrepeso deitado, obesidade felina

Como saber se o seu pet está no peso certo

O escore de condição corporal é a ferramenta mais usada na clínica, e dá pra fazer uma avaliação simples em casa antes mesmo de ir ao veterinário. Passe a mão nas costelas do animal, se elas estiverem cobertas por uma camada grossa de gordura e você não conseguir sentir o relevo, é sinal de alerta. Olhando de cima, o pet deveria ter uma cintura visível atrás das costelas, não um formato retangular ou oval.

Outros sinais: dificuldade para subir no sofá ou na cama, cansaço rápido em passeios curtos, e em gatos, dificuldade para se limpar nas costas, o que leva a pelos embolados justamente na região da garupa.

Filhote sendo pesado em consulta veterinária, controle de peso

O que muda na prática, sem radicalismo

Cortar ração pela metade por conta própria não é a solução, e pode até causar deficiência nutricional. O caminho correto passa por avaliação veterinária, cálculo de necessidade energética individual e, em muitos casos, ração terapêutica específica para perda de peso, que mantém saciedade com menos calorias. Junto disso entra atividade física gradual, sem forçar articulações já sobrecarregadas.

Vale lembrar também do peso dos petiscos na conta. Um biscoito aqui, um pedaço de queijo ali, parecem inofensivos, mas em um cão de 5 kg, um único petisco calórico pode equivaler proporcionalmente a um lanche completo para um humano adulto. Reduzir ou substituir por petiscos de baixa caloria costuma fazer diferença real no resultado do tratamento.

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