Ovelha é sazonal por natureza — a maioria das raças entra em atividade reprodutiva com os dias ficando mais curtos, o que empurra a parição pra uma janela específica do ano. Isso é ótimo do ponto de vista evolutivo (nasce cordeiro quando tem mais forragem disponível), mas é péssimo do ponto de vista comercial, porque concentra a oferta de cordeiro no mercado numa época só, derrubando o preço justamente quando todo mundo está vendendo ao mesmo tempo. A sincronização de cio existe pra quebrar essa dependência.

O protocolo clássico: esponja + eCG
O método mais usado comercialmente combina uma esponja intravaginal impregnada com progestágeno (geralmente acetato de medroxiprogesterona ou de fluorogestona), que fica inserida por 12 a 14 dias simulando a fase lútea do ciclo. Perto da retirada da esponja, aplica-se uma injeção de eCG (gonadotrofina coriônica equina, que era chamada de PMSG antigamente) pra estimular o desenvolvimento folicular e induzir o cio mesmo fora da estação reprodutiva natural. O resultado é um lote inteiro de ovelhas entrando em cio dentro de uma janela de 24 a 48 horas — o que viabiliza inseminação artificial em tempo fixo, sem precisar observar cio individualmente.
Por que vale o investimento em hormônio

Esponja e hormônio custam dinheiro, e isso assusta produtor pequeno de cara. Mas o cálculo muda quando você pensa em três estações de parição por ano em vez de uma — o mesmo rebanho vira uma fábrica de cordeiro o ano inteiro, entregando pro mercado justamente nas janelas em que o preço está mais alto por falta de oferta sazonal. Também facilita o manejo sanitário e nutricional: lote parindo junto significa desmame junto, vacinação junto, venda junto — menos dias de trabalho fragmentado espalhados pelo calendário.
O detalhe que ninguém conta na propaganda

Taxa de concepção em protocolo fora de estação costuma ser mais baixa que em monta natural na época certa — a fisiologia da ovelha ainda resiste um pouco a ser “enganada” quando o fotoperíodo natural diz o contrário. Por isso boa parte dos produtores usa a sincronização pra uma segunda ou terceira estação de parição no ano, mantendo a estação principal no período natural com monta ou IA convencional. É complementar, não substituto — e quem vende a esponja como solução mágica pra virar o ciclo reprodutivo do zero pro dobro está simplificando demais uma conta que também depende de nutrição, condição corporal da ovelha e manejo do reprodutor.