Claudicação é, junto com mastite e problema reprodutivo, uma das três doenças que mais tiram dinheiro do bolso do produtor de leite — e é também a mais fácil de ignorar, porque a vaca continua comendo, continua dando leite (só que menos) e ninguém chama o veterinário até o caso já estar avançado. O escore de locomoção resolve exatamente esse problema: dá pra detectar o início da claudicação só de olhar a vaca andar, sem gastar um centavo em exame.

A escala de 1 a 5 que qualquer um pode aplicar
O sistema mais usado no mundo foi descrito por Sprecher e colaboradores em 1997, e virou padrão em pesquisa de bem-estar animal justamente por ser simples: nota 1 é a vaca com postura normal, dorso reto ao andar; nota 5 é a vaca que mal apoia o membro afetado, com dorso muito arqueado e passos curtos e hesitantes. O pulo do gato é observar de lado, com a vaca em movimento, num piso não escorregadio — não dá pra avaliar direito com o animal parado ou apressado saindo da ordenha.
Escore 3 já é o ponto de virada: a vaca ainda anda, mas com dorso arqueado tanto parada quanto em movimento. É o momento de intervir, porque a partir daí a perda de produção e a queda de fertilidade começam a se acumular rápido.
Por que isso é mais comum do que parece

Estudos conduzidos em rebanhos confinados ao redor do mundo costumam encontrar prevalência de claudicação bem mais alta do que o produtor médio estima olhando o próprio rebanho — a maioria subestima o problema porque só enxerga os casos graves, escore 4 e 5. As causas mais comuns são laminite subclínica (ligada a erro nutricional, principalmente excesso de carboidrato de rápida fermentação), dermatite digital (infecciosa, prolifera em piso sujo e úmido) e úlcera de sola (mecânica, agravada por piso de concreto duro e tempo em pé esperando ordenha). Cada uma pede um manejo diferente — não adianta tratar dermatite digital como se fosse problema nutricional, e vice-versa.
O que fazer com a informação

Recomendo escorear o rebanho a cada 15 a 30 dias, sempre no mesmo ponto de trânsito (saída da ordenha costuma ser o mais prático), e registrar por vaca — não adianta ter só a impressão geral “o rebanho está bem”. É a comparação histórica que revela se um manejo novo (troca de piso, ajuste de dieta, mudança na rotina de casqueamento) está funcionando ou piorando as coisas. E sim, sistemas a pasto tendem a ter menos casos que confinamento total em piso duro — não é coincidência que boa parte da literatura sobre bem-estar em claudicação venha de países com sistema intensivo, onde o problema é estruturalmente maior.