A avicultura brasileira fechou 2025 com uma estatística que parece contraditória: recorde histórico de volume exportado e, ao mesmo tempo, queda na receita. Os números são da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e contam uma história que vale a pena destrinchar, porque explica bastante sobre como funciona o mercado internacional de proteína animal.
Os números que a ABPA divulgou
O Brasil exportou 5,324 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, crescimento de 0,6% sobre 2024 e o maior volume já registrado pelo setor. A receita, porém, somou US$ 9,79 bilhões, 1,4% menor que no ano anterior. Mais frango vendido, menos dinheiro entrando. Ricardo Santin, presidente da ABPA, resumiu o ano como marcado por um único foco de influenza aviária de alta patogenicidade em aves comerciais, já superado, e por embargos sanitários que foram sendo retomados ao longo dos meses.

Quem compra o frango brasileiro
A lista de destinos mudou de posição em relação aos anos anteriores. A China, que durante anos liderou as compras, perdeu a primeira posição depois de manter boa parte do ano sob embargo, já removido. No ranking de 2025 aparecem:
- Emirados Árabes Unidos: 479,9 mil toneladas, alta de 5,5%
- Japão: 402,9 mil toneladas, queda de 0,9%
- Arábia Saudita: 397,2 mil toneladas, alta de 7,1%
- África do Sul: 336 mil toneladas, alta de 3,3%
- Filipinas: 264,2 mil toneladas, alta de 12,5%
O Oriente Médio, somado, segue como um dos destinos mais importantes, e mercados como as Filipinas crescem em ritmo bem acima da média do setor.

Por que a receita caiu com volume recorde
Quando o volume sobe e a receita cai, normalmente o preço médio por tonelada é o culpado, e foi exatamente isso que aconteceu. A combinação de embargo chinês em boa parte do ano, pressão de preços internacionais e redirecionamento de cargas para outros mercados reduziu o valor médio recebido por tonelada exportada. Fechar o ano com recorde de volume não significa necessariamente fechar com recorde de faturamento, e 2025 deixou esse ponto bem claro para quem acompanha o setor.
O susto da gripe aviária em maio
Em maio de 2025, o Rio Grande do Sul registrou o único foco de influenza aviária de alta patogenicidade em aves comerciais do ano no Brasil. O episódio bastou para disparar embargos de vários parceiros comerciais, mesmo tendo sido controlado e superado rapidamente. É esse tipo de evento, pontual mas com repercussão imediata no comércio internacional, que explica por que o status de país livre de influenza aviária é tratado como ativo estratégico pelo setor, e não como detalhe burocrático.

O que isso significa para o produtor
Para quem produz, o recado de 2025 é direto: o Brasil continua sendo o maior exportador de carne de frango do mundo em volume, mas a margem depende cada vez mais de diversificação de mercados e de biosseguridade rigorosa dentro do aviário. Um único foco de doença, mesmo controlado em semanas, já foi suficiente para mexer no resultado financeiro do ano inteiro.