O anuário da Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura) saiu e o número que resume o ano é direto: o Brasil produziu 1.011.540 toneladas de peixe de cultivo em 2025, crescimento de 4,41% sobre 2024. Dentro desse total, a tilápia sozinha respondeu por 707.495 toneladas, cerca de 70% de tudo que foi produzido, com alta de 6,83% no ano. Desde 2015, o crescimento acumulado da espécie já passa de 148%.

Paraná não é só líder, é líder isolado
Entre os estados produtores de tilápia, o Paraná aparece na frente com 273.100 toneladas, um volume que nenhum outro estado chega perto de igualar. Depois dele vêm São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, nessa ordem, segundo o levantamento da Peixe BR. Francisco Medeiros, presidente executivo da associação, resumiu o momento do setor como uma consolidação de uma década inteira de crescimento, não um pico isolado de um ano bom.
Enquanto a tilápia cresce de forma consistente, as espécies nativas, como o tambaqui e o pacu, somaram 257.070 toneladas em 2025, com uma leve queda na produção. É um contraste que chama atenção: a espécie exótica domina a expansão, enquanto a produção nativa patina.

O ciclo de produção explica parte da vantagem
Um ciclo de produção de tilápia dura em torno de oito meses, da despesca ao próximo lote, o que dá ao produtor um giro relativamente rápido comparado a outras proteínas animais. O lado que pesa contra é o custo de ração, que pode representar até 70% do custo total em sistemas intensivos, tornando a eficiência alimentar o fator que decide se a produção dá lucro ou só cobre as contas.
Essa combinação, ciclo curto e dependência forte de ração, explica por que estados com cadeia de insumo bem estruturada, como o Paraná, conseguem se destacar: não é só clima favorável, é também logística de ração mais barata e acesso a tecnologia de manejo mais consolidada.

Por que esse número importa para quem está decidindo investir
Passar de um milhão de toneladas não é só uma marca redonda para comemorar. É o sinal de que a piscicultura deixou de ser um nicho dentro da proteína animal brasileira e virou uma cadeia com volume relevante, o que atrai mais investimento em genética, ração especializada e tecnologia de manejo. Para quem pensa em entrar no setor agora, o recado dos números é que a tilápia continua sendo a porta de entrada mais segura, puxando a maior parte do crescimento e concentrando a tecnologia mais madura do mercado nacional.