6 Raças de Ovinos Que Dominam a Ovinocultura Brasileira

O Brasil tem um rebanho de ovinos espalhado por biomas tão diferentes quanto a caatinga nordestina e os campos frios do Rio Grande do Sul, e isso só é possível porque o país criou (ou importou e adaptou) raças muito distintas entre si. Algumas foram moldadas durante séculos pelo clima seco do sertão, outras chegaram prontas da Europa ou da África do Sul para resolver um problema específico de produção. Separei as seis que mais aparecem em propriedades comerciais e em programas de conservação genética hoje.

Rebanho de ovelhas pastando em campo de capim verde

1. Santa Inês: a rainha dos trópicos

Se tem uma raça que carrega a ovinocultura brasileira nas costas, é essa. Santa Inês é deslanada, ou seja, não produz lã comercializável, o que de cara já elimina um problema seríssimo em clima quente: o estresse térmico de um animal carregando velo grosso debaixo do sol nordestino. Foi selecionada ao longo de décadas no próprio Nordeste, cruzando raças sem lã já existentes na região, até virar praticamente sinônimo de ovino de corte no Brasil.

Hoje ela está em praticamente todos os estados produtores, da caatinga ao Centro-Oeste, e costuma ser a base genética sobre a qual se fazem cruzamentos industriais com raças importadas. Rusticidade é a palavra que mais aparece quando pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral, no Ceará, descrevem a raça.

2. Dorper: a importada que virou queridinha do mercado

Veio da África do Sul, foi desenvolvida especificamente para produção de carne em condições áridas, e encontrou no semiárido brasileiro um ambiente parecido o suficiente para se adaptar rápido. O ganho de peso acelerado é o grande atrativo comercial, e por isso ela virou a raça preferida para cruzamento industrial com Santa Inês, gerando animais que crescem mais rápido sem perder tanta rusticidade.

Rebanho de ovinos pastando em pastagem extensa

3. Morada Nova: pequena, rústica e genuinamente brasileira

Originária do Ceará, é uma raça pequena, deslanada, que sobrevive bem com pouco pasto e pouca água, exatamente o que se precisa em anos de seca prolongada no sertão. Não é a maior nem a que mais rende carcaça, mas é um reservatório genético importante, motivo pelo qual programas de conservação da Embrapa mantêm núcleos dela preservados mesmo sem grande apelo comercial imediato.

4. Texel: a europeia que ainda disputa espaço no Sul

Vinda dos Países Baixos, é uma raça lanada, de corpo musculoso, usada historicamente tanto para lã quanto para carne. No Brasil aparece sobretudo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde o clima mais frio se aproxima um pouco das condições originais da raça, em cruzamentos voltados para melhorar o rendimento de carcaça de rebanhos locais.

5. Somalis Brasileira: herança africana adaptada ao sertão

Outra deslanada de origem africana, trazida ainda no período colonial e moldada pelo isolamento geográfico do semiárido nordestino ao longo de gerações. É menor que a Santa Inês, mas extremamente resistente a parasitas e a longos períodos de escassez de forragem, características que a tornam valiosa em bancos de germoplasma voltados à conservação da diversidade genética ovina do país.

Ovino isolado em pasto verde de fazenda

6. Bergamácia: rara, mas ainda resiste no Sul

De origem italiana, chegou ao Brasil com a imigração europeia no Sul e já foi mais comum do que é hoje. Perdeu espaço para raças de crescimento mais rápido, mas ainda é mantida por criadores que valorizam características específicas de lã e de adaptação ao frio, num nicho bem menor dentro da ovinocultura nacional.

Pesquisadores como Raimundo Nonato Braga Lôbo, da Embrapa Caprinos e Ovinos, costumam insistir num ponto que foge do óbvio: a raça certa não é a que cresce mais rápido no papel, é a que sobrevive ao ano ruim de chuva na propriedade específica onde ela vai viver. Por isso o Nordeste segue apostando pesado em deslanadas rústicas, enquanto o Sul mantém algumas raças lanadas que em outro clima simplesmente não aguentariam o tranco.

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