Fibra na Dieta de Suínos e Aves: Por Que Não Dá Para Ignorar

Por muito tempo, a fibra foi tratada como o componente chato da ração, aquilo que dilui energia e atrapalha a digestibilidade. Suínos e aves são monogástricos, afinal, sem o rúmen que os bovinos usam para fermentar forragem. Mas a nutrição animal mudou de ideia nos últimos anos, e hoje a fibra é vista como peça central da saúde intestinal desses animais, não como sobra a ser minimizada.

Suíno em ambiente de criação, fibra na nutrição de monogástricos

O intestino grosso do suíno também fermenta

Hans Stein, professor de nutrição de suínos na University of Illinois e uma das referências mais citadas da área, tem mostrado em décadas de pesquisa que o intestino grosso do porco abriga uma população microbiana capaz de fermentar fibras solúveis, gerando ácidos graxos de cadeia curta que servem de energia para as células do próprio intestino. Não é o mesmo volume de fermentação que ocorre no rúmen bovino, mas está longe de ser irrelevante, especialmente para a integridade da mucosa intestinal.

Fibra solúvel e insolúvel fazem trabalhos diferentes

A fibra solúvel, presente em ingredientes como polpa de beterraba e casca de soja, retarda o esvaziamento gástrico e alimenta a fermentação microbiana. Já a fibra insolúvel, mais abundante no farelo de trigo, tem papel mecânico, estimulando a motilidade intestinal e ajudando a evitar constipação, um problema recorrente em porcas em fase de gestação e lactação. Um erro comum de formulação é tratar toda fibra como equivalente, quando na prática cada tipo cumpre uma função fisiológica distinta.

Grupo de suínos, fermentação intestinal em suínos

Nas aves, o ceco cumpre um papel parecido

Frangos e poedeiras têm cecos, bolsas cegas ligadas ao intestino, onde também ocorre fermentação de fibras não digeridas no intestino delgado. Estudos recentes de nutrição avícola indicam que incluir níveis moderados de fibra insolúvel de grão grosseiramente moído estimula o desenvolvimento da moela, melhora a motilidade do trato digestivo superior e reduz a incidência de disbiose intestinal, condição associada a quadros como a enterite necrótica em frangos de corte.

O ponto de equilíbrio é o desafio real

Fibra em excesso reduz a digestibilidade de outros nutrientes e pode comprometer o ganho de peso, especialmente em fases iniciais de crescimento, quando a capacidade digestiva do animal ainda está em desenvolvimento. O desafio para o formulador de ração, seja em granjas de suínos ou de aves, é encontrar o nível que sustenta a saúde intestinal sem sacrificar desempenho, um equilíbrio que muda conforme a fase de vida do animal e o ingrediente fibroso disponível na região.

Leitão junto da porca, saúde intestinal de aves e suínos

No fim das contas, a fibra deixou de ser tratada como enchimento barato de ração e passou a ser vista como ferramenta de manejo nutricional, capaz de reduzir o uso de antimicrobianos preventivos justamente por sustentar um intestino mais resiliente. É uma mudança de mentalidade que reflete o quanto a nutrição de monogástricos avançou nos últimos vinte anos.

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