Em poucas semanas depois de aparecer nos Estados Unidos em 2013, o vírus da Diarreia Epidêmica Suína (PEDV) já tinha contaminado mais de 680 granjas americanas e alcançado uma mortalidade próxima de 100% em leitões lactentes. Mais de uma década depois, a doença circula em países como Estados Unidos, México, Canadá, Peru, Japão e Colômbia, mas o Brasil nunca registrou um caso. Não é sorte. É o resultado de uma política de biosseguranca que vem sendo mantida desde que o vírus surgiu.

Por que essa doença é tão agressiva
O PEDV ataca o intestino de suínos de qualquer idade, mas é nos leitões recém-nascidos que o estrago é maior. A diarreia intensa e o vômito levam à desidratação em poucas horas, e a taxa de mortalidade em lactentes de até duas semanas pode chegar perto de 100% nos surtos mais graves. Animais mais velhos costumam sobreviver, mas perdem peso e produtividade, o que já é suficiente para gerar prejuízo expressivo numa granja comercial.
A transmissão acontece principalmente por via fecal-oral, e o vírus é resistente o bastante para sobreviver em caminhões de transporte, equipamentos e roupas mal higienizadas. Foi exatamente esse tipo de contaminação cruzada que ajudou o PEDV a se espalhar tão rápido pelos Estados Unidos no início dos anos 2010.

O que mantém o vírus fora do território nacional
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), através do Departamento de Saúde Animal, trata a entrada de suínos vivos, sêmen e plasma suíno importado como pontos críticos de controle. Animais importados passam por quarentena na Estação Quarentenária de Cananéia, em São Paulo, e o sêmen só pode vir de centros credenciados sem nenhuma ocorrência da doença nos últimos 12 meses.
No campo, entidades como a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) reforçam um conjunto de práticas que qualquer granja comercial deveria seguir à risca:
- Comprar animais só de origem certificada, com isolamento de pelo menos 15 dias antes de entrar no plantel;
- Controlar rigorosamente a entrada de veículos e equipamentos que circularam por outras propriedades;
- Restringir a visita de pessoas que tiveram contato recente com suínos de outras granjas;
- Comunicar de imediato ao médico veterinário qualquer sinal clínico compatível com diarreia epidêmica.

Um lembrete de que a vigilância nunca pode parar
O caso do PEDV é um exemplo de como a ausência de uma doença não deve ser motivo para baixar a guarda. O vírus continua circulando em países que comercializam material genético e produtos de origem suína em escala global, e uma única falha na barreira sanitária seria suficiente para colocar em risco toda a suinocultura brasileira, que hoje abastece o mercado interno e ganha espaço nas exportações. Manter o protocolo de biosseguranca não é burocracia, é o que garante que a história do PEDV nos Estados Unidos nunca se repita em uma granja brasileira.