Cerca de 25% das cadelas não castradas desenvolvem piometra depois dos 10 anos de idade, segundo revisões da literatura veterinária. É uma das emergências ginecológicas mais comuns na rotina de clínicas e hospitais veterinários, e também uma das que mais rápido pode evoluir para um quadro fatal se o tutor demorar para procurar ajuda.

O que é e por que acontece
Piometra é uma infecção bacteriana do útero que se instala geralmente nas semanas seguintes ao cio, quando os níveis de progesterona permanecem elevados por mais tempo e deixam o colo do útero menos resistente à entrada de bactérias. Com o tempo, o órgão se enche de pus, perde a capacidade de se contrair normalmente e pode se romper, levando a uma peritonite generalizada.
O principal fator de risco é simples: não ter sido castrada. Cadelas que nunca passaram por gestação, ou que tomaram contraceptivos à base de progestágeno para evitar o cio, também entram em grupos de maior risco. Algumas raças aparecem com mais frequência em levantamentos sobre o problema, entre elas pastor-alemão, golden retriever, labrador, rottweiler, doberman e setter irlandês, embora a doença possa acometer cadelas de qualquer porte ou linhagem.

Sinais que não podem ser ignorados
O quadro clínico varia de acordo com o tipo de piometra. Quando o colo do útero permanece aberto, o tutor costuma notar uma secreção vaginal com odor forte, às vezes acompanhada de sangue, saindo nos dias seguintes ao cio. Já quando o colo se fecha, não há secreção visível e o pus se acumula internamente, o que torna o diagnóstico mais difícil e o risco mais alto, porque o útero pode se romper sem nenhum aviso externo claro.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Apatia e perda de apetite que surgem dias ou semanas após o último cio;
- Aumento da sede e do volume de urina;
- Distensão abdominal perceptível ao toque;
- Febre, vômito ou diarreia em casos mais avançados;
- Secreção vaginal com mau odor, quando o colo do útero está aberto.
O tratamento é sempre uma corrida contra o tempo
Na grande maioria dos casos, o tratamento definitivo é a cirurgia de ovariohisterectomia, a remoção do útero e dos ovários, realizada com urgência assim que o diagnóstico é confirmado por exame clínico, ultrassom e exames de sangue. Protocolos clínicos à base de medicação para esvaziar o útero existem, mas são reservados a casos específicos, geralmente em cadelas jovens com interesse reprodutivo futuro e sob acompanhamento veterinário rigoroso, já que o risco de recidiva e de complicação é maior do que no procedimento cirúrgico.

A forma mais eficaz de evitar o problema continua sendo a castração em idade recomendada pelo médico veterinário. Para tutores de cadelas não castradas, principalmente acima dos 6 ou 7 anos, vale ficar atento a qualquer mudança de comportamento ou secreção nas semanas seguintes ao cio e procurar atendimento no mesmo dia em que notar algo fora do padrão. Em piometra, cada hora de demora pode ser a diferença entre uma cirurgia tranquila e uma emergência com risco real de morte.