Enquanto a discussão em torno da pecuária bovina costuma dominar as manchetes do agro brasileiro, é o frango que carrega o título mais discreto e ao mesmo tempo mais impressionante: o Brasil é, há anos, o maior exportador mundial de carne de frango, à frente de potências como Estados Unidos e União Europeia. Segundo o Relatório Anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país consolidou essa liderança também nos números de 2025, com a produção seguindo em trajetória de crescimento para 2026.

Como o Brasil chegou a essa posição
Não foi um salto repentino. A cadeia avícola brasileira levou décadas construindo essa vantagem competitiva, combinando clima favorável à produção de milho e soja (as duas principais matérias-primas da ração), integração vertical entre produtor e indústria, e um status sanitário que ainda hoje é raro no mundo: grandes áreas do país seguem livres de influenza aviária de alta patogenicidade em aves comerciais, o que facilita a abertura de novos mercados importadores.
Isso não quer dizer que o setor esteja imune a sobressaltos. Em 2025, a confirmação de focos de gripe aviária em aves comerciais em algumas regiões levou países importadores a suspender temporariamente a compra de frango brasileiro, e a ABPA chegou a projetar queda nas exportações do ano. O episódio reforça como a posição de liderança depende tanto de genética e eficiência quanto de vigilância sanitária constante.

A genética por trás da eficiência
Praticamente todo frango de corte produzido no Brasil carrega genética de poucas linhagens comerciais internacionais, como as desenvolvidas por empresas como Cobb-Vantress e Aviagen, que investem pesado em seleção genética para conversão alimentar, ganho de peso e rendimento de peito. Essas linhagens são aperfeiçoadas continuamente, e o resultado prático aparece no ciclo de produção: o frango de corte brasileiro chega ao peso de abate em poucas semanas, uma fração do tempo que levava décadas atrás.
A Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia (SC), também contribui com pesquisa aplicada à nutrição e ao manejo sanitário de aves no contexto brasileiro, ajudando a adaptar protocolos internacionais à realidade do clima tropical e das matrizes genéticas usadas aqui. Essa combinação entre genética de ponta e manejo bem ajustado ao ambiente é um dos motivos pelos quais o custo de produção brasileiro consegue competir com o de países que exportam subsidiados.

O que sustenta a liderança daqui para frente
Manter o primeiro lugar não é automático. Depende de continuar investindo em biosseguridade para evitar novos episódios de gripe aviária, de diversificar destinos de exportação para não ficar refém de um único mercado comprador, e de seguir melhorando a eficiência genética e nutricional sem perder de vista o bem-estar animal, tema que vem pesando cada vez mais nas exigências dos países importadores. O Brasil chegou ao topo combinando esses fatores, e é só continuando a acertar nesse conjunto que a posição se mantém.