Búfalos no Brasil: Por Que a Bubalinocultura Cresce na Amazônia

Enquanto o gado bovino domina a paisagem da maior parte do Brasil, existe uma região onde outro animal manda mais, o búfalo. Na Amazônia, sobretudo na Ilha de Marajó, no Pará, o búfalo não é curiosidade, é a base econômica de milhares de famílias, adaptado a um ambiente que castiga o gado convencional.

Barco em rio amazônico, região de criação de búfalos

Um animal feito para área alagada

O búfalo tem cascos mais largos que o boi, o que distribui melhor o peso do corpo e evita que o animal afunde em solo encharcado, uma vantagem decisiva nas várzeas que ficam parcialmente submersas boa parte do ano. Ele também tolera pastagens de qualidade inferior às exigidas pelo gado bovino, digerindo forragens fibrosas com mais eficiência, o que reduz a dependência de suplementação em regiões onde levar ração até a fazenda é logisticamente caro.

Marajó concentra o maior rebanho do país

A pesquisa em bubalinocultura no Brasil tem um nome de referência histórica, José de Brito Lourenço Júnior, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, que dedicou décadas a estudar manejo, reprodução e sistemas de produção de búfalos na região amazônica. O trabalho da Embrapa ajudou a consolidar o Pará, e principalmente a Ilha de Marajó, como o principal polo bubalino do país, concentrando uma fração expressiva de todo o rebanho nacional em uma área que soma menos de 1% do território brasileiro.

Paisagem de várzea amazônica, ambiente de bubalinocultura

O leite de búfala rende mais no queijo

O leite de búfala tem teor de gordura consideravelmente mais alto que o leite de vaca, geralmente entre 7% e 8% contra os cerca de 3,5% do leite bovino, o que explica por que ele rende mais queijo por litro processado. É a base da mussarela de búfala, produzida em escala crescente em laticínios do Pará e também em outros estados como Minas Gerais e São Paulo, onde a raça Murrah, de origem indiana, tornou-se a mais usada por sua boa produção leiteira em comparação com raças bubalinas de aptidão mais voltada ao corte.

Uma cultura própria, não só uma alternativa ao boi

Em Marajó, o búfalo não é apenas produção, virou identidade regional, usado até como montaria pela polícia militar da ilha e presente em festas populares e no imaginário local de um jeito que nenhum outro animal de produção do Brasil conseguiu igualar. Fora da Amazônia, a bubalinocultura também vem crescendo de forma mais discreta em regiões de terras baixas e alagáveis de outros estados, atraindo produtores que buscam diversificar a atividade pecuária em áreas onde o boi tradicional simplesmente não rende o mesmo resultado.

Escultura de bovino com chifres, cultura pecuária regional

O crescimento da bubalinocultura brasileira segue um caminho meio silencioso comparado ao boom do gado de corte, mas consistente, apoiado em algo simples, um animal que aproveita bem o que a Amazônia oferece, sem exigir que a paisagem se adapte a ele.

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