Lesões de casco em suínos raramente aparecem do nada — na maioria dos casos, a causa está debaixo dos pés do animal o tempo todo. O piso é um dos fatores de ambiência mais subestimados na suinocultura, e sua escolha errada gera prejuízo silencioso: fêmeas que renqueiam, reprodutores descartados precocemente e queda de desempenho que o produtor demora a associar à causa real.
O que o piso ripado resolve — e o que ele causa
O piso ripado (de concreto, ferro fundido ou plástico) facilita a higienização e reduz o contato do animal com dejetos, o que ajuda no controle sanitário. Mas frestas mal dimensionadas ou material com arestas cortantes causam lesões nos cascos, especialmente em fêmeas em gestação e lactação, que passam longos períodos em pé ou deitadas sobre a mesma superfície. A largura da ripa e da fresta precisa ser compatível com o tamanho do casco da categoria alojada — o que serve para uma matriz adulta não necessariamente serve para uma leitoa.
Cama sobreposta: conforto com outro tipo de manejo
Sistemas com cama sobreposta (maravalha, casca de arroz ou outro material absorvente) oferecem superfície mais macia e reduzem a incidência de lesões de casco e de pele, além de melhorar o conforto térmico em climas frios. Em compensação, exigem manejo mais intensivo de reposição e revolvimento do material, e mal manejados podem aumentar a umidade do ambiente e o risco de problemas respiratórios — a vantagem de um lado pode virar desvantagem se o manejo diário não acompanhar.
Sinais precoces de que o piso está causando problema
Antes de uma claudicação visível, o produtor atento percebe sinais mais sutis: animais relutantes em se levantar, mudança de postura ao ficar em pé, e desgaste irregular do casco em avaliações de rotina. Inspecionar os cascos periodicamente — não só quando o animal já manca — permite corrigir o piso ou ajustar o manejo antes que a lesão avance para um quadro que force o descarte precoce do reprodutor.
O retorno de investir no piso certo
Trocar ou corrigir um piso inadequado tem custo imediato, mas evita a perda de matrizes de alto valor genético antes do tempo, reduz o descarte por problemas locomotores — uma das principais causas de saída não planejada do plantel — e melhora o bem-estar de um jeito que se traduz diretamente em desempenho reprodutivo.