O Brasil possui um grande potencial para o crescimento e desenvolvimento da piscicultura, devido ao fato de possuir grande disponibilidade de água e produção de insumos para fabricação de ração. Ainda assim, a Tilápia (Oreochromis niloticus), espécie esta de origem africana, é a espécie mais produzida em nosso país, sendo que são animais rústicos e que têm boa adaptação ao ambiente.
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Em planteis comerciais é comum serem realizados o processo de masculinização do plantel com o objetivo de realizar um controle populacional, bem como de produzir animais mais homogêneos. Deste modo, a reversão sexual é inicialmente feita a partir da coleta de larvas instaladas na boca da fêmea e levados a incubadoras onde ficam até que sejam eclodidos.
A masculinização dos tanques de peixes apresentam várias vantagens, bem como maior desenvolvimento, seja no peso e tamanho, maior digestão, além de não haver territorialismo, em contrapartida as fêmeas apresentam uma menor ingestão de alimento devido a presença dos ovos incubados na boca e por serem dedicadas para a reprodução.
A reversão normalmente é realizada por meio do fornecimento de ração com hormônio (17-α-metiltestosterona – hormônio esteroide andrógeno), dos quais têm maior eficiência em larvas recém-eclodidas, ainda assim é possível obter essa reversão por meio de outros métodos como o banho de imersão e temperatura.
Banho de Imersão
Podem ser realizados em larvas com 6 a 10 dias após a eclosão, dos quais são mantidas em solução aquosa de hormônio por um período de 36 horas. Nesse processo é possível obter até 83% de indivíduos machos.
Temperatura
A temperatura é um método mais recente, sendo importante para otimizar o desenvolvimento dos indivíduos jovens, fase esta em que são mais sensíveis, assim os melhores resultados são acima de 38,5 °C, no entanto pode ser inviável devido ao alto nível de mortalidade.
Ração Com Hormônio
É o método mais comum no Brasil, o fornecimento de ração com hormônio é realizado por um período de 28 dias (KUBITZA, 2000; Santos A. 2015) e deve ser iniciado após as larvas iniciarem a ingestão de alimentos. A partir deste método, é possível produzir até 98% de indivíduos machos, quando fornecido 6x por dia durante 30 dias (Mainardes-Pinto et al. 2000). Nesse viés o percentual de masculinização depende da quantidade de fornecimento de hormônio, número de refeições, período de fornecimento e linhagem.
O fornecimento e tempo adequado deste hormônio é importante para que sejam evitados a excreção exacerbada, ocasionando assim possíveis impactos ambientais e também para que os animais não apresentem problemas hepáticos ou que se tornem individuos intersexo.
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O manejo alimentar nas pisciculturas comerciais costumam ocorrer apenas durante o período diurno, assim uma maior frequência de fornecimento pode tornar a masculinização mais eficiente. Em países com piscicultura industrial, é comum o fornecimento de forma automática, o que possibilita uma maior frequência alimentar e é possível o fornecimento no período noturno, além de reduzir a mão de obra, há um fornecimento de maior precisão na oferta de ração.
Enfim, o sexo é determinado por inúmeros fatores, sendo eles genéticos, ambientais, no entanto, é possível modificá-lo conforme o sistema de criação. Deste modo, os animais que passam por esse processo de reversão não geram riscos à saúde dos consumidores, já que estes animais excretam de forma rápida estes hormônios.